Florestas tropicais sofrem com secas intensas, revela estudo global
Pesquisadores da UFLA contribuem para pesquisa publicada na revista Science sobre os impactos das mudanças climáticas nas florestas tropicais
Um estudo internacional publicado na revista Science revelou os preocupantes impactos das mudanças climáticas nas florestas tropicais. A pesquisa, que envolveu mais de 150 cientistas de diversos países — incluindo pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) — analisou mais de 10 mil árvores de 163 espécies em regiões como Amazônia, África, Sudeste Asiático e América Central.
Os resultados mostram que as secas prolongadas estão afetando diretamente o crescimento das árvores tropicais. Mesmo pequenas reduções no crescimento dos troncos aumentam em até 10% o risco de morte das árvores, comprometendo sua capacidade de capturar carbono da atmosfera — uma função vital no combate ao aquecimento global.
Nos anos mais secos, o crescimento dos troncos caiu em média 2,5%, e em 25% dos casos, a redução ultrapassou os 10%. Apesar disso, muitas árvores conseguiram se recuperar no ano seguinte, demonstrando uma resistência ainda presente, embora ameaçada.
🌳 Contribuição da UFLA
Pesquisadores da UFLA desempenharam papel essencial na coleta e análise de dados, especialmente por meio do estudo dos anéis de crescimento de árvores amazônicas e do estado de Minas Gerais. A professora Ana Carolina Barbosa, do Laboratório de Dendrocronologia da UFLA, é uma das coautoras do artigo. Também participaram pesquisadores egressos e atuais alunos dos programas de pós-graduação em Engenharia Florestal e Fisiologia Vegetal da instituição.
“Participar de um estudo dessa magnitude é motivo de grande orgulho e reforça o valor da ciência colaborativa”, afirma Ana Carolina. “As árvores tropicais são registros vivos das mudanças ambientais. Estudá-las nos permite entender e projetar os efeitos futuros das secas intensificadas.”
🔥 Implicações para o futuro
Embora as florestas tropicais ainda demonstrem alguma resiliência, os pesquisadores alertam que essa capacidade pode não ser suficiente diante do avanço das mudanças climáticas. A tendência é de secas mais frequentes e intensas, o que pode comprometer a função das florestas como sumidouros de carbono.
O estudo também estima um aumento de 0,1% ao ano na taxa de mortalidade das árvores devido às secas, somando-se à média anual de 1%. Ao longo do tempo, isso representa uma perda significativa de biomassa e carbono estocado.
O artigo completo está disponível no site da revista Science, sob o título “Pantropical tree rings show small effects of drought on stem growth"
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